Saturday, September 12, 2009

En la India, productores agrícolas venden a sus esposas para sobrevivir

12 de septiembre 2009. -En los últimos meses, algunos productores agrícolas del norte de la India, que están cargados de deudas, han optado por venderle sus mujeres e hijas a los prestamistas. Esta situación extremadamente dramática se debe a que el país sufrió una de las peores temporadas de monzones de los últimos años por las escasas lluvias, ha dicho la Comisión Nacional para las Mujeres, un organismo del gobierno con sede en Mumbai.

Por los menos tres casos se han informado en la región Bundelkhand, en Uttar Pradesh, de agricultores que han vendido a mujeres de sus familias por cifras que oscilan entre 4.000 y 12.000 rupias (u$s 83 y u$s 248), le dijo al Financial Times Girija Vyas, presidenta de la comisión.

Sangeeta, una mujer que fue vendida por su padre a un prestamista, dijo: “me vendieron porque mi familia no tenía otra alternativa”.

Otra de las víctima preguntó “¿qué se supone que vamos a comer? Aunque tenemos tierra, no podemos cultivar nada porque no llovió lo suficiente... Ya hemos tomado préstamos enormes”.

Pese a que en las últimas dos semanas las lluvias aumentaron, la temporada de monzones ha sido una de las peores en muchas años, lo que obligó al gobierno a declarar la sequía en alrededor de 278 distritos de 11 estados. Una buena temporada de monzones es vital para la India, ya que más de 70% de los 1.200 millones de habitantes del país viven en zonas rurales, y en alrededor de 60% de los casos la tierra que los productores utilizan para sus cultivos no tiene irrigación y, por lo tanto, depende de las lluvias.

Esta situación también ha empujado al suicidio por lo menos a 25 personas en el estado de Andhra Pradesh, en el sur del país, en los últimos dos meses porque los productores tienen graves problemas para pagar lo que deben. Desde 2001 casi 90.000 agricultores se suicidaron en la India a causa de las deudas, según un informe publicado por el gobierno.

Fonte: Cronista.com/Aporrea

Labels:

Monday, March 16, 2009

A Crise: onde estão e para onde vão
Luciano Alzaga* - 09.03.09

A Irlanda está à beira da insolvência. A Alemanha avisa que há problemas com outros membros, entre eles a Espanha, e recusa o seu resgate pela UE. Fala-se de implementar um ou mais euros.

O governo da Irlanda anunciou que «está à beira da suspensão de pagamentos» e este anúncio de imediato «agravou a recessão nos países europeus», de acordo com os media burgueses. O país está à porta da repetição da situação que fez ruir a economia da Islândia. Ambas as economias estão baseadas na mesma falsa suposição: que não é necessário criar riqueza, que é suficiente apostar no casino financeiro e imobiliário. A diferença entre estes dois países e os restantes é que estes levaram essa falsa suposição a extremos insustentáveis, por isso caíram antes, Não significa que os outros não venham a cair.

Protagonista nos últimos anos do que os media burgueses apresentaram como uma sensacional história de «êxito», a Irlanda – tal como a Islândia, outra história de «êxito» - está agora imersa numa crise terminal. À recessão acrescenta-se o sector bancário mais golpeado pelas turbulentas apostas dos seus donos e um deficit público galopante, fundamentalmente provocado pelas contínuas ajudas – leia-se utilização dos dinheiros públicos para pagar as dívidas dos burgueses – a esse mesmo sector bancário.

Na realidade os media escondiam interesseiramente o que economicamente foi, de acordo com os manuais, um claro fracasso: abandono quase total do trabalho produtivo para se centrarem no improdutivo, a economia financeira e especulativa, que não produz riqueza: só redistribui a que existe, concentrando-a em poucas mãos (as mesmas de sempre).

O mesmo fizeram a maioria dos países, sendo que alguns – principalmente no Estado espanhol ou nos EUA, mas também na Irlanda – ainda agravaram a situação com a especulação imobiliária. Este «trabalho» improdutivo não só não produz riqueza para o conjunto das pessoas, como até fica uma boa parte da riqueza existente congelada em edifícios que não são utilizados à espera do aumento do seu preço.

A Irlanda anunciou novas injecções de milionárias quantias de dinheiro e avaliza as dívidas dos seus bancos. E isso constitui parte do problema: os estados não têm dinheiro para tapar os buracos criados pelos capitalistas. Os seus malabarismos financeiros atingiram tais extremos que a banca irlandesa está em queda livre e ameaça a própria solvência do Estado.

O seu deficit fiscal (despesas superiores às receitas) já ultrapassa os 6% do Produto Interno Bruto (PBI) e chegará aos 9% em 2009. Por esta qualificação creditícia a Irlanda já viu diminuída: prevê-se que o estado não tenha dinheiro para pagar os empréstimos aos organismos financeiros internacionais, e as emissões de obrigações do Tesouro ninguém as quer.

Pago-te amanhã

Bruxelas começa a deixar ver que os multimilionários salva-vidas aos donos da banca tiveram escassos resultados. Ainda qu não o diga claramente, isto deve-se, fundamentalmente a três razões:
- Niguem acredita que os Estados disponham de tanto dinheiro. As medidas de salvação estão a ser tomadas com pagarei, o que significa que se vão emitir bilhetes de Tesouro pelos montantes acordados, na esperança de que alguém os compre, coisa bem rara neste momento. Ou seja, os banqueiros estão a salvar-se com dinheiro que não existe e que, no final, em algum momento serão os povos a pagá-lo.

Os EUA estão na mesma situação, já que ninguém quer comprar os seus títulos do Tesouro, e para o seu famoso plano de 800.000 milhões chegou a uma solução trapaceira já utilizada em 2007: compra a si mesmo os títulos do Tesouro. Perante a pergunta óbvia de com que dinheiro os compra, a resposta mais plausível sugere que é com dinheiro recentemente impresso, isto é dinheiro sem qualquer valor (http://www.lahaine.org/index.php?p=36087).

- As apostas na bolsa e no mercado imobiliário dos banqueiros foram demasiado forte, e os efeitos vão chegando espaçados no tempo, à medida que se vencem as obrigações ou se desmoronam outros bancos e sociedade financeiras que tinham oferecido pechinchas para atrair esses banqueiros. É por isso que as ajudas de hoje, amanhã já não servem.

- Os banqueiros utilizam o dinheiro dos salva-vidas estatais para cobrir os seus prejuízos pessoais e o dos accionistas mais importantes, e não para dar crédito à indústria ou assegurar os depósitos dos clientes. Por isso a crise vai continuar e, seguramente, agravar-se.

A Comissária para a «Concorrência» da UE já avisou que a zona euro deverá «tomar decisões duras sobre reestruturações ou possíveis liquidações controladas. E estas decisões deverão adoptar-se muito rapidamente». Em linguagem de gente isto significa que o que até há muito pouco era o maior pecado de um governo neoliberal (estatizar já que o mercado com a sua eficiência resolve todos os problemas) tenta-se agora vender como o único remédio.

Perante a crise provocada pelas suas apostas irresponsáveis, o capitalismo volta à sua essência: a lei da selva, o salve-se quem puder, a lei do mais forte. Neste caso o mais forte é a Alemanha e a sua corte de países eficientes. Há que salvar o euro, ainda que caiam países «amigos».

A Alemanha recusa-se ajudar países de segundo nível

O ministro das Finanças alemão reclamou que os parceiros fortes do bloco não ajudem os países com problemas, que poderiam car em mora, e afirmou que a Irlanda é um país «muito difícil». Referia-se, evidentemente, à rejeição do povo irlandês ao tratado europeu, factura que agora vão fazer pagar.

O Comissário para os Assuntos Monetários da UE, o ex-candidato presidencial do PSOE Joaquin Almunia, sempre alinhado com as preocupações alemãs, já advertiu que a Irlanda, a Grécia, a Espanha, a França e Malta, países da zona euro, e a Letónia que não pertence ao bloco regional, têm deficits públicos excessivos (o máximo aprovado em Maastricht é 3% do PIB).

Em Espanha, apesar das reiteradas declarações de que «estamos melhor preparados que outros países para suportar a crise», declarações que também fizeram os ministros islandeses e irlandeses, a situação é crítica. Standard and Poor’s (sector da bolsa de Nova Iorque que se encarrega de classificar as empresas e países de acordo com o seu nível) reviu recentemente em baixa a qualificação da dívida de Espanha, Grécia e Portugal, o que obriga estes países a pagar taxas de juro mais elevadas nos empréstimos para financiar o deficit.

Como consequência desta situação, a diferença entre as taxas de juro de países da zona euro nunca foi tão elevada, o que dá argumentos aos alemães para afirmarem que «isto põe à prova a União Monetária, um dos fundamentos das UE». Enquanto a Alemanha tinha há uma semana uma taxa de juro para empréstimos a dez anos de 3,04%, a da Irlanda era de 5,54% e a da Grécia de 5,58%. Fora da zona euro, no leste da Europa, a da Polónia chegava a 6,12% e a da Hungria cerca de 12%.

O Tratado de Maastricht impede que o Banco Central Europeu (BCE) ou algum país ajude ao resgate de outro em caso de insolvência; o BCE, dominado pela Alemanha, mostra claramente que não está interessado em actuar em resgate dos Estados de segunda categoria e a Comissão Europeia não pode, segundo os tratados da UE, pedir fundos aos mercados. Dito por outras palavras, a ideia das «euro-obrigações» – empréstimos a Estados garantidos por vários países para dividir riscos – permanece bloquedapela Alemanha, que resiste a «pagar pelos outros».

Criar dois ou três ouros

A incerteza Teve consequências: em pouco tempo, o euro passou 1,60 para 1,25 dólares, coisa que preocupa os alemães já que, entre outras coisas, isto implica que são necessários mais euros para comprar combustíveis, matérias-primas e tudo o que no mercado internacional se vende em dólares. Para evitar que o euro continua a desvalorizar-se, arrastando para a queda os países de segunda categoria já se começa a falar de dois ou mais euros.

Na Alemanha, os planos de resgate de burgueses também denunciam um quadro de acordo com o tom geral: salve-se quem puder. E reafirmam a opinião dos analistas que o dinheiro é do BCE é para ajudar os países mais fortes. O governo da chanceler Ângela Merkel aprovou emenda que dá luz verde à nacionalização temporária dos bancos que estejam à beira da banca rota, o que vai exigir muito dinheiro e dinheiro valorizado.

É importante esclarecer este «temporal»: a privatização dos serviços públicos que dão lucro é definitiva, mas a estatização dos bancos é temporal. Isto é, quando a situação económica melhore os bancos serão devolvidos aos seus donos que, assim não terão de pagar do seu bolso os desastres que fizeram com o dinheiro dos clientes. Quando há perdas paga-as o Estado; quando houver lucros serão para os banqueiros.

Com estes dados. Começa a ficar claro o que se diz ser a intenção da Alemanha: manter um euro forte nos países nórdicos e alguns mais, e deixar à sua sorte ou criar um euro de segunda categoria para os restantes países. Ou talvez três euros: forte, médio (para a França, Espanha, Itália…) e fraco para a Irlanda, Grécia, Portugal e os países do Leste europeu.

Da esquerda à direita é agora moda dizer que a crise oferece oportunidades. A Alemanha já as está a ver: tira o apoio às ajudas da UE aos países de mais baixo nível económico, mas que vão continuara a ser mercados cativos, e com o euro forte pode comprar no mercado internacional em melhores condições e continuar como actor de primeiro nível na economia mundial, sobretudo agora que o dólar se debilita. E sonhar que um dia a sua moeda seja a de referência (o Reich que duraria 1.000 anos…).

Nota: Muitas das ideias exportas neste texto provêm do seminário promovido por Wim Dierccksens de 13 a 16 de Fevereiro de 2009 na Universidade Luterana de El Salvador


* Luciano Alzaga, jornalista, é amigo e colaborador de odiario.info.

Publicado em odiario.info

Labels:

Monday, January 12, 2009

2009: crise do capitalismo generalizará e aprofundará a barbárie

Escrito por Valéria Nader (Correio da Cidadania)
05-Jan-2009

2009 inicia-se sem o costumeiro frescor característico dos anos novos. A explosão da crise financeira mundial em setembro de 2008, ainda que não tenha sido uma surpresa para economistas e analistas que acompanhavam a realidade com seriedade, deixou a todos estupefatos com a velocidade pela qual se propagou do epicentro da crise nos EUA para outros países centrais e emergentes. Em nosso país, encerrou-se precocemente nesse setembro um ciclo de crescimento de 4 anos, aproveitando-se de uma conjuntura internacional extremamente favorável e após longo período de taxas medíocres de evolução de nossa economia.

É enorme a quantidade de interrogações a respeito do que reserva este momento para as populações de todo o planeta, que iniciam o ano sob a angústia da incerteza quanto à duração e profundidade da mais severa crise econômica desde os anos 30 do século passado. Para discutir essa crise e os seus possíveis desdobramentos, o Correio da Cidadania entrevistou o historiador Mário Maestri.

Para ele, apesar de o Brasil ter conseguido crescer em outros momentos de crise profunda, como na 2ª Guerra, desta vez a história deve ser distinta. O país se equivoca ao apostar no mercado externo, em detrimento do interno, para evitar a anunciada retração econômica.

Mais do que nunca, o momento seria de retomar a consciência da classe trabalhadora no sentido de se recuperar a unidade perdida no passado, o que tanto a alienou. Porém, tal processo não encontra as melhores possibilidades dentro do Brasil, obrigando os movimentos e o proletariado a ficarem atentos ao perigo de se reafirmarem novas derrotas populares.

Crítico da esquerda, que parece cada vez mais capitular ao jogo institucional burguês, Maestri acredita que se "deve construir uma nova política, que favoreça a constituição do mundo do trabalho como sujeito social central", alertando que tempos de dureza para o povo não necessariamente alavancam revoluções populares e libertárias, como atestam diversos casos do século 20.

Correio da Cidadania: Em entrevista ao Correio da Cidadania em fins de 2007, você afirmava que a economia mundial avançava puxada fortemente pelo consumo dos EUA e da China, já sob o signo de uma próxima crise geral. Na sua opinião, a crise mundial que vivemos é apenas do modelo neoliberal ou do próprio capitalismo?

Mário Maestri: Em dezembro de 2007, lembrava que a expansão da economia brasileira se instalara tardiamente, em relação às nações ditas emergentes, devido à submissão do governo Lula da Silva ao capital financeiro. A economia brasileira incorporou-se, timidamente, apenas em 2006 ao grande boom expansivo geral de 2002. Em 2005, o PIB do Brasil empacava em 2,3%, para avançar timidamente, em 2006, para 3,7%, enquanto países como Argentina, China, Índia, Venezuela dobravam, havia anos, aquela taxa.

Naquele então, os membros e apologistas do governo neoliberal de Lula da Silva declaravam que o atraso da economia nacional em despegar devia-se à construção consciente de bases econômicas "sólidas" e "responsáveis" que garantiriam anos de expansão "auto-sustentada". E não à ditadura dos banqueiros e do pagamento incondicional da dívida.

Após o crescimento do PIB em 2007 em 5,4%, que deve se repetir em 2008, o Brasil se prepara para expansão entre 2 e 3% em 2009, deixando o altaneiro "vôo de águia" pomposamente anunciado pelo senhor Lula da Silva, em agosto, para retornar ao velho "vôo de galinha" espavorida, no melhor dos casos. Em verdade, começamos mal equipados nossa viagem ao coração da tempestade, que se afigura como crise geral da economia capitalista, e não mero solavanco neoliberal.

Em fins de 2007, lembrava que, ao contrário do dito pelos apologistas neoliberais, a situação estrutural do Brasil degringolava, com destaque para a desnacionalização da economia, que obriga à exportação crescente de lucros e dividendos; o enorme atraso da ciência nacional, que motiva sangria de divisas em royalties e compras de equipamentos e tecnologia; a atrofia do mercado interno e hipertrofia do externo, em momento de queda tendencial de preços e de volumes das exportações.

Fragilidade estrutural do país que se deve substancialmente à renúncia e impotência da burguesia brasileira em cumprir qualquer papel de defesa da nação, contente em se acomodar como súcubo do capital global. Isso em um contexto em que o mundo do trabalho não consegue se propor, mesmo programaticamente, como alternativa para a população brasileira, devido à sua fragilidade orgânica e subjetiva.

CC: Para ‘arrumar’ a economia mundial, economistas advogam medidas keynesianas, de regulação e disciplina dos gastos públicos. Outros descrêem de soluções "nacionais", vista a complexa trama de relações do sistema capitalista, controlado por conglomerados mundiais, imbricados ao Estado. É possível regulação da economia mundial? Está em curso algo do gênero?

MM: É patético escutar analistas, que há poucas semanas pregavam devotos a miraculosa capacidade de expansão eterna da acumulação de capitais. Não foram as medidas keynesianas que superaram a grande crise de 1930, mas a II Guerra, com a depressão, por longos anos, do valor do trabalho na Europa; com a destruição de inteiras ramas da produção; com a construção de uma nova hegemonia mundial e imensa acumulação nos EUA etc.

As medidas keynesianas defendem a expansão, e não a disciplina dos gastos públicos, para reativar a economia. O senado dos EUA rejeitou a ajuda às mega-empresas automobilísticas porque os operários se opunham a cortes dos salários, política depressiva, em contexto de regressão do consumo! O problema é a impossibilidade, na sociedade global, de se produzirem automóveis nos EUA, com salários superiores aos dos operários japoneses, brasileiros, chineses e, quem sabe, muito logo, haitianos!

Uma das grandes razões da amplitude da crise foi a enorme desregulamentação das práticas financeiras, bancárias, securitárias, acionárias etc., que pôs em circulação volumes fluviais de capitais, sem correspondência com a riqueza social. Esse ainda desconhecido magma de capitais ajudou a relançar setorialmente o consumo, com destaque para os EUA, e expandiu a produção, privilegiadamente na China, controlada por conglomerados mundiais.

Um arranjo que ensejou que o capital acumulado pela produção chinesa, consumida fortemente nos EUA devido à hegemonia e ao monopólio da moeda mundial, retornasse sobretudo como empréstimos a esse país, alavancando de lambuja a produção de commodities dos países emergentes, sob forte controle internacional, devido às necessidades produtivas do Dragão Asiático.

Uma expansão artificial do consumo que favoreceu o boom mundial de 2002-2008. No Brasil, a expansão artificial do consumo através do crédito, endividando a população, sustentou também o crescimento da produção dos dois últimos anos. A queda dessa pirâmide financeira-industrial vem sendo combatida por injeções astronômicas de capitais, para impedir quebradeira do sistema bancário-financeiro e, eventualmente, reanimar a produção já descolada da capacidade de consumo de população vergada por vinte anos de queda tendencial dos salários e desemprego. Queda dos salários que se pretende agora aprofundar nos EUA, no Brasil e no mundo, como solução da crise! Entre nós, o empresariado já propõe diminuição de horas de trabalho e de salários!

A desregulamentação não foi erro ou pecado da globalização; corrigido ou punido, ensejará nova e longa era de capitalismo mais regulado e civilizado, ainda que menos explosivamente rentável. O "outro mundo possível" dos que propõem o controle do neoliberalismo, no seio de uma ordem capitalista que defendem e sugerem como reformável e insuperável.

A desregulamentação foi a solução necessária encontrada pelo capitalismo para valorizar o capital. Ou seja, superar a inexorável queda tendencial da taxa média de lucro, devido ao crescimento do peso do capital morto [máquinas e meios de produção] e queda do capital vivo [trabalho], para valorizar o capital. O grande motivo das crises cíclicas de subconsumo, como lembrava o bom e velho Marx, em O capital, há bem mais de um século!

Terminada a enorme farra, começamos a viver a terrível ressaca. Os dois terços da produção da China voltados à exportação já recuam com a queda das encomendas globais, enquanto o terço orientado ao consumo interno inicia a deprimir-se, com as barbas dos chineses no molho! No seio das nações e entre as nações, já vivemos um "abandonem o barco" em que os mais fortes correm como sempre para os escaleres pisoteando velhos e crianças. Não há solução estrutural fora de reorganização racional da economia. Ou seja, à margem da expropriação e do planejamento social e democrático da grande produção, apenas possível em uma ordem socialista mundial.

CC: No Brasil, encerramos 2008 com crescimento econômico e maiores salários, queda do desemprego e inflação. Essa realidade vai recuar em 2009, com a crise financeira chegando à economia real? Ou estamos mais ‘blindados’ do que outros emergentes, como defende o presidente e seus ministros?

MM: Vamos pagar duramente pela submissão ao grande capital, especialmente financeiro. No momento expansivo, os altos juros transformaram o Brasil no paraíso da especulação, deprimindo o valor do dólar. Agora com a crise, conhecemos maxi-valorização! Com a mundialização dos preços, a queda dos valores das commodities vai se refletir apenas relativamente no Brasil, onde tudo que importamos encarecerá. A importação da inflação corroeria em um vap-vup os desmilingüidos ganhos dos salários dos últimos anos. E, novamente, espera-se conter a inflação importada com a depressão do consumo interno, com os mais altos juros do mundo, sobre os quais se acena para queda tendencial quando a crise estiver plenamente instalada! Política que fortalecerá a tendência já em curso de regressão do mercado do trabalho nacional.

CC: Qual a sua avaliação quanto à atuação do governo brasileiro diante dessa crise econômica global e de seus impactos na economia interna?

MM: Lula da Silva é patético e dramático. No ano passado, lembrava que seu problema não é ser inculto, como se assinala preconceituosamente, mas ser apenas esperto, pouco inteligente e, sobretudo, muito pretensioso. Já plenamente identificado ao neoliberalismo, convenceu-se de que a rápida expansão passada do país deveu-se a seu governo, vivendo a triste ilusão do simplório que crê reger com os movimentos dos braços a ida e a vinda inexorável das ondas do mar.

Em fins de março, dizia que a "crise não" chegara ao país e que o governo trabalhava com a "hipótese de que" jamais chegaria! Agora, com o bafo do bicho no gogó, promete com a mesma desfaçatez despachar a fera em breve lapso de tempo. Em jantar com a oficialidade, disse não acreditar que a crise dure além de 2009, até "porque nenhum presidente vai agüentar mais de um ano com a crise nas costas, gerando desemprego [...]". Portanto, os presidentes porão fim à crise para não perderem eleições!

O governo segue jogando a partida como se bastasse ficar empatado no segundo tempo para ganhar o jogo. Segue insistindo no incentivo e financiamento das exportações, em contexto de queda tendencial acelerada do consumo mundial. Parece contar com a violenta desvalorização do real, que empobrecerá a população, para apoiar as vendas no exterior. Promoveu uma enorme facilitação para o sistema bancário e sequer uma medida estrutural. Em verdade, gere os interesses pelos quais é responsável, despreocupado com o país e a população.

Entretanto, historicamente, o Brasil cresceu nas crises mundiais. Em 1914-18, em 1930-34, em 1939-45, o país avançou privilegiando o mercado interno, quando o externo não lhe podia nada oferecer. Essa política é ainda possível, devido ao caráter continental e à diversidade produtiva do Brasil. Porém, só será implementada apoiada em bloco social radicalmente diverso do que se encontra no poder e no governo. Ou seja, através de aliança social que tenha como eixo a moderna classe trabalhadora urbana, já que, hoje, uma política semelhante exigiria reestatização e forte ampliação da área pública privatizada; nacionalização do sistema bancário, do comércio exterior, da propriedade da terra; desenvolvimento da ciência e da tecnologia nacional; política de independência nacional, na diplomacia, na defesa etc.; garantia de trabalho para a população e crescimento sustentado e acelerado dos salários etc.

CC: Conhecendo-se as fragilidades estruturais [sociais, ambientais etc.] da sociedade brasileira, mascaradas pelos últimos avanços ainda que tímidos [da renda, emprego, crescimento], é possível que, de alguma forma, a crise contribua para que a população tenha uma consciência real do modelo econômico atual?

MM: É estranha a euforia de setores da esquerda com a crise. É quase como se ela viesse para confirmar as propostas do marxismo e, sobretudo, para nos tirar do buraco e isolamento em que nos encontramos, ao nos entregar, finalmente, de mão-beijada, a direção do movimento social e, quem sabe, dos destinos do país.

A crise de 1929 ensejou a vitória do nazismo na Alemanha, a consolidação do fascismo na Itália, do salazarismo em Portugal, do stalinismo na URSS, etc., em um momento em que o socialismo e a revolução proletária eram alternativas para imensas parcelas da população, não apenas trabalhadora. Como dito, a grande crise levou à II Guerra, com suas dezenas de milhões de mortos.

A crise atual já caUSA e vai caUSAr tristezas e sofrimentos indescritíveis para imensas parcelas da população, através do desemprego, pobreza, fome, angústia, doenças e, quem sabe, guerras locais e gerais, em possível dura disputa pela manutenção-conquista das posições hegemônicas, entre os principais núcleos capitalistas – EUA, China, Europa, Índia etc. – e destes com as nações periféricas.

Um processo de fortalecimento das contradições entre as nações, ensejado pela difícil situação do grande capital, que já acirra as fricções, na América do Sul, entre o governo Lula da Silva, em defesa do grande capital tupiniquim [Petrobrás, empreiteiras, Gerdau, Itaipu Bi-nacional, Vale etc.], e as nações argentina, boliviana, equatoriana, paraguaia etc.

Não há correlação necessária entre avanço da exploração e salto de consciência. Ainda que a crise fortaleça enormemente o confronto de classe, exigindo que os trabalhadores definam e implementem suas soluções políticas e sociais. Sobretudo no Brasil, onde a desorganização e a alienação do movimento social são grandes, onde não existe ainda organização política socialista de raízes operárias, impõe-se um forte esforço para que essa conjuntura não aprofunde a derrota da população trabalhadora. Para que, ao contrário, se fortaleça o mundo do trabalho como alternativa nacional.

CC: Mediante o caráter severo dessa crise, ela abre possibilidade de emergência de uma sociedade socialista no mundo e no Brasil? Há uma organização política e social efetiva das forças de esquerda de modo a conduzir à ruptura com o regime capitalista?

MM: Cada vez mais, a própria sorte da humanidade depende imperiosamente da superação socialista e revolucionária das contradições capitalistas. A própria destruição ambiental e as modificações climáticas ensejadas pela industrialização desenfreada já vergastam duramente a população do Globo, apontando para crises de crescente gravidade a curto e médio prazo. No Brasil, já vivemos em forma crescentemente dura as seqüelas dessa realidade, que associa crises climáticas, degradação ambiental, empobrecimento da população.

A depressão dos preços das matérias-primas ensejada pela crise está pondo e porá em cheque as propostas populistas e centristas de melhor distribuição dos recursos nacionais, sobretudo energéticos, para melhores condições populares de vida, sem superação da exploração mundial e nacional, como na Venezuela, Bolívia, Paraguai e Equador. O Equador já vive plenamente essa realidade.

Sem os recursos milionários ensejados pela valorização da energia, governos como os da Venezuela e Bolívia terão que optar, muito logo, entre superar suas vacilações ou reprimir a população ou entregar ingloriamente o governo à direita, legal ou ilegalmente. Se Hugo Chávez não avançar no sentido da plena expropriação do grande capital na Venezuela e construção de poder popular, transformar-se-á em uma nota ao pé da história, como o general peruano nacionalista Velasco Alvarado, nos anos 1968-75, já quase esquecido.


No mundo e no Brasil, urge construir programa alternativo para a crise e para a sociedade capitalista em estágio senil, capaz de ser compreendido e abraçado mais e mais pelas classes trabalhadoras e populares, na conformação de um forte bloco social capaz de defrontar e vergar o mundo do capital.

Além das contradições históricas e estruturais do Brasil, a grande dificuldade dessa construção deve-se certamente à derrota histórica conhecida pelo mundo do trabalho, com a vitória da contra-revolução capitalista, em fins dos anos 1980, que ensejou uma violenta e geral regressão da confiança na capacidade de organização da sociedade segundo os valores do mundo do trabalho. Ou seja, uma descrença geral na ordem revolucionária e socialista.

CC: E no Brasil, como essa crise encontra as forças políticas de esquerda, em termos de sua organização e possibilidade para, no mínimo, construir uma plataforma de medidas destinadas a defender as camadas mais pobres dos efeitos da crise?

MM: Muito mal. No Brasil, no contexto de enorme fragilidade política, ideológica e organizacional do mundo do trabalho, o espaço político da esquerda tende a ser ocupado por representantes e propostas de segmentos sociais sobretudo médios, que possuem apenas contradições não essenciais com a ordem capitalista. Mesmo quando eles se reivindicam do marxismo e do socialismo. Uma realidade que contribui para a depressão da situação em que vivemos.

A fragilidade da nossa esquerda constitui reflexo direto da debilidade do movimento social, com destaque para o grande operariado industrial. A chamada crise de direção é reflexo da debilidade de constituição do movimento social. Não temos e jamais tivemos pólo operário que se anteponha ao capital, mesmo programaticamente. Tivemos um esboço de construção desse pólo, em fins dos anos 1970, que resultou na formação do PT e da CUT tendencialmente socialistas e classistas. Movimento que se frustrou, entre outros motivos, devido à vitória da contra-revolução mundial, nos fins dos anos 1980, e ao longo do ciclo econômico depressivo nacional.

As últimas eleições mostraram o forte recuo do classismo e socialismo e avanço do oportunismo e eleitoralismo na esquerda, como bem avaliado no Correio da Cidadania. No Rio Grande do Sul, o MES, a maior tendência do PSOL, foi de pires na mão receber o mensalinho legal da Gerdau! O dramático é que a ação espúria não teve sanção eleitoral. A candidata do MES recebeu a maior votação majoritária do PSOL no Brasil. Portanto, o eleitorado de esquerda já considera um tal comportamento aceitável. Não há, assim, por que não aprofundá-lo!

A fragilidade da esquerda e a do movimento social alimentam-se reciprocamente, em uma terrível espiral descendente. É improvável conhecermos reversão próxima substancial dessa realidade sem ruptura paradigmática da relação social de forças, nacional ou mundial, em favor do mundo do trabalho. A esquerda socialista e classista deve se voltar para o favorecimento do surgimento-consolidação de um forte pólo de classe no Brasil. Portanto, deve abandonar a eterna ilusão da fácil conquista da afeição de um movimento social e popular que mal existe.

Temos que construir uma nova política estranha ao oportunismo já endêmico na esquerda, fixada obsessivamente na conquista de posições de representação nas universidades, nos sindicatos e, sobretudo, em avançar, a cada dois anos, no abocanhamento de mais alguns deputados, vereadores, prefeitos etc. Tudo para participar do farto banquete da administração do Estado capitalista. Temos que construir uma nova política que, como proposto, favoreça a constituição do mundo do trabalho como sujeito social central, processo indiscutivelmente inacabado entre nós.

Mário Maestri, 60, rio-grandense, é historiador. Participou da luta social e anti-ditatorial nos anos 1960; refugiou-se no Chile e na Bélgica nos anos 1970; integrou o PT, nos anos 1980; participou da fundação do PSOL nos anos 2000, do qual se desligou. E-mail: maestri@via-rs.netEste endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email

Valéria Nader, economista, é editora do Correio da Cidadania.
Colaborou o jornalista Gabriel Brito.

Labels: ,

Saturday, March 15, 2008

Hugo Chavez Rap/Hip Hop

Labels: ,

Socorro do Fed a grande banco derruba bolsa nos EUA
14/03/2008

O Bear Stearns, quinto maior banco de investimento americano, anunciou nesta sexta-feira que teve de pedir ajuda ao Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA), pois sua liquidez "se deteriorou de forma significativa". O empréstimo de emergência com 28 dias de prazo, de valor não revelado, aumenta os rumores de que o Bear Stearns será vendido, provavelmente ao JP Morgan Chase.

A notícia fez a o índice Dow Jones recuar 1,6% em Nova York nesta sexta-feira. As ações do banco socorrido despencaram em 47,4%. O Fed não concedia um empréstimo de emergência como este desde a Grande Depressão dos anos 1930 (o banco data de 1913).

Banco dos Rockefeller, possível comprador

A suspeita de que o JP Morgan Chase & Co irá comprar o banco foi reforçada pela modalidade escolhida para a ajuda. O Fed – uma instituição absolutamente independente, embora com diretores indicados pelo presidente e ratificados pelo Senado – resolveu fornecer sua ajuda através do Morgan, que captará os recursos de uma linha fornecida pelo Fed de Nova York (o principal dos 12 bancos regionais que compõem o BC americano).

Se o Bear Stearns é o quinto maior banco de investimento do país, fundado em 1923 e com 13 mil funcionários, parece um peixe pequeno ao lado do Morgan. Este é o terceiro maior banco americano, com ativos da ordem de US$ 1,2 trilhões. Com raízes que remontam a 209 anos atrás, formou-se em 2001 através da fusão do JP Morgan & Co com o Chase Manhattan Bank, da família Rockefeller, cujo nome por muito tempo foi um equivalente universal de multimilionário.

Canibalismo empresarial

Fusões como a de 2001 ou incorporações como a que pode abocanhar o Bear Stearns são uma prática que se amiúda em períodos de crise. Em tempo de negócios difíceis e arriscados, essa espécie de canibalismo interempresarial pode assumir proporções epidêmicas. O resultado é uma maior concentração e centralização do capital – que acontece também em épocas de bonança, mas não com a mesma intensidade.

O rumor de que o JP Morgan pode abocanhar seu ex-concorrente, talvez ainda na semana que vem, não impediu que ele sentisse o contágio da má notícia sobre os rumos da crise imobiliário-financeira. Suas ações se desvalorizaram 4,1% nesta sexta-feira (o Citigroup, outro gigante do ramo, perdeu 6,1%).

E os US$ 17 bi em dinheiro?

A desconfiança dos investidores ficou exacerbada porque o anúncio desmentiu repetidas declarações tranqüilizadoras do diretor geral do Bear Stearns, Alan Schwartz. Desde o ano passado, quanto estourou a crise do subprime, a partir das hipotecas imobiliárias, ele vinha negando que seu banco tivesse problemas.

Nesta quarta-feira Schwartz ainda manifestara a esperança de que o banco registrasse lucro no primeiro trimestre, desmentira os boatos sobre problemas de liquidez e dissera ter US$ 17 bilhões em caixa, em dinheiro. Agora, a maneira de explicar a reviravolta foi dizer que "nossa posição de liquidez nas últimas 24 horas se deteriorou de forma significativa".

Da redação, com agências
Fonte: Diário Vermelho

Labels:


Megainvestidor americano vê dólar "com os dias contados"
29 DE FEVEREIRO DE 2008

"O dólar é uma moeda incrivelmente problemática e seus dias estão contados". A opinião, publicada no diário econômico The Wall Street Journal, não é de algum incendiário antiimperialista, mas do legendário megainvestidor de commodities estadunidense Jim Rogers. Um dos maiores medos do sistema financeiro, face ao continuado enfraquecimento da divisa dominante do mundo, que a crise em curso agravou, é que em algum momento isso provoque uma fuga em massa para longe da moeda americana.

Por Bernardo Joffily*

O investidor Jim Rogers: pessimista com a moeda O mais conhecido dos especuladores financeiros internacionais, George Soros, húngaro-americano, concorda basicamente com Rogers, que já foi seu sócio. Em janeiro ele previu no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça) que a crise de crédito prejudicaria o papel dominante do dólar: "É basicamente o fim de um período de 60 anos de contínua expansão do crédito baseado no dólar como moeda de reserva", vaticinou.
Euro rompeu a barreira de US$ 1,50

Na terça-feira desta semana o debilitamento do dólar rompeu mais uma barreira psicológica, quando ele passou a ser trocado acima da proporção de 1,5 para 1 euro. A semana fechou com a cotação em torno de US$ 1,52.

Quando o euro foi lançado, em 1999, havia paridade entre ele e o dólar. E nos primeiros dois anos a moeda da União Européia perdeu terreno. Mas desde 2002 o dólar se desvaloriza constantemente em euros, assim como em yens japoneses e na maioria das outras moedas, inclusive o real brasileiro. Em seis anos o dólar perdeu mais de 40% do valor em relação à divisa européia e mais de 20% se comparado com uma cesta mais ampla de moedas.

No curto prazo, vantagem para os EUA

Paradoxalmente, o debilitamento de um dos símbolos da supremacia da superpotência estadunidense é, no curto prazo, uma vantagem para os Estados Unidos. Ao depor na quinta-feira (28) perante o Comitê dos Bancos do Senado, o presidente do Federal Reserve (banco central dos EUA), Ben Bernanke, falou em recessão, falências e outras perspectivas sombrias, mas apontou o dólar fraco como raro ponto positivo.

Uma moeda que se desvaloriza ajuda as exportações, pois os produtos do país ficam mais baratos em relação à concorrência. Também protege o mercado de trabalho nacional, pois a mão-de-obra também barateia. Por isso, fortalecer o dólar não é uma prioridade dos EUA. Pelo contrário, há anos o Tio Sam se queixa de que o yuan chinês devia ser valorizado em relação à sua moeda.

Até o momento, o recuo no valor do dólar provocou um desgaste relativamente pequeno no papel da moeda como divisa padrão para as transações internacionais. A moeda ainda é usada em 86% das transações cambiais diárias no mundo, que somam US$ 3,2 trilhões. Em 2001 essa percentagem era 90%. Quase dois terços das reservas internacionais dos bancos centrais dos países continuam em dólares. O euro corresponde a cerca de 25% (quando foi lançado eram 18%) e todas as outras divisas a 10%. Essa supremacia é amparada por fatores não só econômicos mas também políticos, estratégicos, militares.

Libra já foi a grande divisa

Mas no caso da erosão continuar, ou até se acelerar, por exemplo em decorrência da crise imobiliário-financeira nos EUA, isso tende a mudar. Pode chegar o momento em que a velha senhora que guarda uns dólares de economias na gaveta, ou o xeque árabe que vende petróleo à Europa em dólares, ou a diretoria do banco central de um país, ou os três ao mesmo tempo, se perguntem se a moeda, que desde 1971 não é mais garantida por um lastro em ouro, é mesmo tão segura.

Então o efeito manada, como o chamam os analistas de mercado, pode levar a uma fuga em massa. E o dólar terminaria destronado, como a libra britânica, que foi a moeda de troca do mercado mundial até a metade do século passado.

O jornal Valor Econômico desta sexta-feira (29) publica um artigo de Craig Karmin e Joanna Slater, originalmente para o The Wall Street Journal, que comenta esse enfraquecimento continuado, mas conclui que, "apesar de todo o pessimismo, o mundo não está preparado para abrir mão da moeda americana". Mas seu argumento é que, para tirá-la do posto de "língua comum das finanças", seria preciso "fazer uma enorme reforma do sistema financeiro mundial, que poucos parecem preparados a enfrentar". É um raciocínio de lógica duvidosa, já que põe em dúvida a existência de um problema em nome da trabalheira que daria para resolvê-lo.

* Com informações do Valor Econômico-The Wall Street Journal
Fonte: Diário Vermelho

Labels: